A família de uma criança de Mogi das Cruzes, diagnosticada com autismo, recebeu uma autorização liminar da justiça para cultivar cannabis medicinal. Os pais do garoto podem plantar até 12 pés de uma planta específica e produzir o óleo de CBD​​.

Em Mogi das Cruzes, município de São Paulo, um casal recebeu autorização de caráter liminar da justiça para cultivar maconha medicinal em casa. A planta será usada para auxiliar o tratamento do filho, uma criança de 8 anos que foi diagnosticada com autismo. A decisão foi autorizada na 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo no último mês, pelo juiz Rodrigo Boaventura Martins. Além do cultivo, os pais também foram autorizados a produzir o óleo medicinal de CBD.

Ítalo Giovaninni, filho dos técnicos em farmácia Emília Santos Giovannini e Alberto Giovannini, foi diagnosticado com autismo e deficiência intelectual. Após ter a condição confirmada, os pais buscaram por diversos tratamentos, desde consultas com um psiquiatra, até a fonoaudiologia. 

O garoto começou a fazer tratamento com remédios convencionais, como o risperidona e a quetiapina. Infelizmente, o uso desses remédios não apresentou resultados positivos. Na realidade, ele até sofreu com alguns efeitos colaterais. “Ou dopava o menino, quando ele tomava uma dose muito alta e ele ficava muito zonzo, ou então não fazia nem cócegas”, disse Emília Giovannini.

Em busca de um tratamento mais saudável para o filho, o casal descobriu os benefícios da maconha medicinal. Em 2019, Ítalo tomou pela primeira vez o óleo de CBD, fornecido pela ABRACE. Desde então, o garotinho começou a ter uma vida mais tranquila e até sorria para a família.

Então, o Purodiol CBD foi receitado para a criança. Contudo, um frasco de 30 miligramas pode custar até R$ 3 mil e dura apenas um mês. Infelizmente, o valor excede a renda mensal da família. Apesar da ABRACE distribuir o óleo por um preço mais barato, o valor ainda pode ser muito alto para algumas famílias. Por isso, eles começaram a buscar uma forma de conseguir o salvo-conduto para plantar cannabis em casa.

Felizmente, a decisão liminar do juiz foi positiva. Agora, eles podem cultivar até 12 pés da strain “Charlotte’s Web“, uma estirpe que é rica em CBD. O casal ainda deve apresentar relatórios e laudos periódicos para informar a justiça sobre o andamento do tratamento de Ítalo.

De acordo com Leonardo Navarro, o advogado que atendeu a família, cada autorização é única. Por exemplo, um dos requisitos para o cultivo é não doar o óleo produzido.

Dentre dessas obrigações, ela pode cultivar até 12 plantas, ela pode portar o frasco do óleo para onde ela for com o Ítalo, mas não pode doar ou ceder para alguém o produto daquela produção. Ela precisa elaborar relatório sobre a quantidade de plantas que estão sendo cultivadas e a quantidade de óleo extraído, se a quantidade excede a necessidade e se ela está estocando. Precisa informar também, sob relatório médico, a evolução do tratamento do Ítalo. O juiz quer saber se ele está usando e se isso está fazendo bem para ele”, revelou Navarro.

Emília, que faz parte das Mães Jardineiras, um projeto para incentivar que mães produzam óleo medicinal de canabidiol para seus filhos e entes queridos, disse que vai continuar lutando pelo direito de produzir o remédio do seu filho.

Mudou muita coisa. O Ítalo, até então, era um medo. Existia o preconceito da família, dos amigos. Diziam que estávamos dando maconha para nosso filho. Eu não tenho preconceito para o uso recreativo, nem para o medicinal. Hoje acolho pessoas que querem viver o mesmo que eu, tanto em questão financeira, quanto em qualidade de vida. É uma alegria e tanto”, disse Emília.

Fonte: G1

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